9.3. Quedas e Fraturas

 
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Na idade idosa, as quedas e fraturas nos ossos são um problema sério. As quedas ocorrem, na sua maioria, ao realizar tarefas básicas do dia-a-dia, ex.: ao levantar-se, ao sentar-se, dobrar-se ou a andar. No caso de uma pessoa idosa, mesmo uma pequena queda pode ter várias consequências negativas, incluindo fraturas, que podem exigir um período de recuperação muito longo.

 
As causas das quedas nesta faixa etária podem ser divididas em dois grupos principais: quedas internas e externas.
 

Quedas internas

Quedas internas estão associadas às chamadas mudanças causadas pelo envelhecimento, ou seja, processos atróficos causados pelo envelhecimento de todos os sistemas do corpo. Tal conduz a uma resposta mais lenta do sistema nervoso aos estímulos, enfraquecimento dos músculos, problemas de equilíbrio, doenças circulatórias, deterioração da visão e audição ou diminuição da capacidade de coordenação dos movimentos. Além disso, o funcionamento do organismo envelhecido é afetado por doenças que acompanham o envelhecimento, por exemplo, doenças cardiovasculares, neurológicas (Parkinson, acidente vascular-cerebral), metabólicas (diabetes, osteoporose) ou doenças dos membros (alterações degenerativas, deformações após lesões anteriores).

As pessoas idosas podem, também, sofrer de alguma doença mental como demência, depressão ou ansiedade. Contudo, a medicação para estas doenças pode ter efeitos secundários como tonturas, dificuldades em concentração ou aumento da pressão do sangue, o que, em vários casos, tem uma influência negativa no bem-estar geral. Todos estes fatores influenciam a forma como as pessoas mais idosas se movimentam, aumentando o risco de quedas.
 

Quedas externas

As causas das quedas externas incluem todos os tipos de fatores externos presentes no ambiente que dificultam a movimentação da pessoa idosa, ex.: chão escorregadio, tapetes que se movem, escadas, degraus demasiado altos, falta de locais de apoio dentro de casa ou nos meios de transporte, luz inadequada ou más condições meteorológicas (neve, gelo nos pavimentos).
 

Consequências das quedas

Entre os efeitos mais comuns das quedas das pessoas idosas, estão os hematomas, pisaduras, distensões musculares, fraturas dos ossos, lesões cranianas (concussões, hemorragias intracranianas), cujos sintomas se manifestam, por vezes, apenas algum tempo depois de o próprio acidente ter ocorrido.

É importante, também, mencionar a síndrome pós-queda, que resulta no medo de sofrer outra queda, e, consequentemente, na limitação da atividade motora diária, a fim de minimizar a probabilidade de que ela aconteça novamente. Prejudica significativamente o funcionamento dos sistemas respiratório e circulatório, dos órgãos e da saúde mental dos idosos, que já estão limitados pelas mudanças do envelhecimento, o que leva diretamente à deterioração da qualidade de vida.

Os tipos mais comuns de fraturas que resultam de quedas são aquelas que ocorrem no fêmur, úmero e no antebraço, logo acima do pulso. Fraturas nas vértebras e costelas tendem a acontecer com menos frequência.

As fraturas mais perigosas para as pessoas idosas são as das extremidades inferiores (mesmo as menos complicadas), pois podem causar muitas complicações. Tal deve-se sobretudo à necessidade de imobilização, que pode levar a efeitos secundários muito sérios, ex.: pneumonia, distúrbios circulatórios periféricos, trombose venosa profunda, distúrbios de pressão, infecções urinárias, distúrbios intestinais (prisão de ventre), agravamento da osteoporose, atrofia muscular, etc.

A duração da imobilização depende, principalmente, do tratamento. Quanto mais longo for, mais efeitos secundários pode causar. A condição da pessoa idosa nem sempre permite intervenção cirúrgica, o que aumenta, significativamente, o tempo que a pessoa necessita de ficar em repouso e, no pior dos cenários, pode levar à morte.
 

Como proteger a pessoa idosa das fraturas?
Prevenção

Prevenir as quedas da pessoa idosa – para este propósito, é necessário observar as imediações do local onde a pessoa se encontra, por exemplo, o seu apartamento. A instalação de barras de apoio (principalmente na casa de banho) e de tapetes antiderrapantes irá facilitar as funções da pessoa idosa.
 

Calçado adequado

O calçado que a pessoa usa para andar – deve ser leve, equipado com solas antiderrapantes e adaptado da melhor forma possível às deformações do pé da pessoa. Além disso, deve garantir que o calcanhar está estabilizado.
 

Equipamento

Em certos casos, é necessário escolher um equipamento de apoio que ajude a pessoa idosa a mover-se com mais facilidade: bengala, canadianas e andarilhos.
 

Tratamento preventivo

Se a pessoa tiver notado uma deterioração da sua saúde em geral, é importante consultar um médico que indique um tratamento adequado ou que modifique as doses da medicação que a pessoa já toma.
 

Fisioprofilaxia

Um trabalho sistemático na condição física da pessoa idosa ajuda-a no seu quotidiano, contribui para que seja mais independente e minimiza o risco de queda. Um conjunto de exercícios apropriados deve ser desenvolvido por um fisioterapeuta. O programa de exercícios deve incluir exercícios destinados a uma mobilidade adequada das articulações e à flexibilidade dos tecidos circundantes, força muscular, equilíbrio, coordenação e um bom desempenho físico no geral.
 



Como proceder em caso de fratura de um membro inferior ou superior de uma pessoa idosa?

   Não ajuste ou mova o membro de forma bruta de modo a não agravar a lesão.
 
   Imobilize o membro nas duas articulações em torno da fratura – ex.: se suspeitar que a fratura é na tíbia, a perna precisa de ser imobilizada desde o tornozelo até ao joelho.
 
   Não dê à pessoa nada para comer ou beber.
 
   Cubra a pessoa com um cobertor ou casaco.
 
   Chame uma ambulância imediatamente.


 
 
 
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